Ministério da Saúde lança campanha para reduzir recusa à doação de órgãos
São Paulo, 25 de setembro de 2025 – O Ministério da Saúde lançou hoje uma campanha nacional cujo objetivo é sensibilizar a população e reduzir a recusa familiar à doação de órgãos, que ainda atinge cerca de 45% dos potenciais casos no Brasil. 
“Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”
Durante cerimônia realizada no Hospital do Rim, na capital paulista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a mensagem central da campanha é garantir às famílias que o Programa Nacional de Transplantes é seguro, ético e sério. 
“Quando um profissional de saúde vier conversar com a família para fazer essa doação, saiba que esse profissional […] tem todo o reconhecimento não só nacional, mas internacional de um programa extremamente seguro.” 
Padilha destacou, ainda, que no Brasil não existe comércio de órgãos nem tráfico, e que o sistema foi construído com bases sólidas ao longo dos anos. 
A importância de comunicar o desejo em vida
De acordo com especialistas, a principal razão para a recusa familiar é o fato de que muitas pessoas nunca manifestaram claramente, em vida, o desejo de ser doadora ou não — o que gera insegurança nos parentes no momento crítico. 
Para mudar esse panorama, a campanha incentiva que cada cidadão converse com sua família e deixe claro seu posicionamento em relação à doação de órgãos. 
Novas diretrizes e avanços na política nacional
Além do lançamento da campanha, o ministro assinou uma portaria que institui oficialmente a Política Nacional de Doação e Transplantes — a primeira dessa natureza desde 1997.  A nova política regula princípios como ética, transparência, anonimato e gratuidade no acesso via SUS. 
Entre as novidades previstas estão:
• A regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral no SUS. 
• A adoção rotineira da membrana amniótica (obtida da placenta) para tratamento de queimaduras, especialmente em crianças, a fim de reduzir dor, melhorar a cicatrização e diminuir risco de infecções. 
• A redistribuição macrorregional de órgãos para otimizar transporte e garantir que mais regiões possam realizar transplantes. 
• Criação do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), que vai reconhecer e incentivar equipes hospitalares com base em desempenho e volume de doações. 
Brasil é referência em transplantes públicos
O Brasil ocupa a terceira posição mundial em número absoluto de transplantes — atrás apenas de Estados Unidos e China — e lidera entre os países que realizam os procedimentos por meio de um sistema público.  Só no primeiro semestre de 2025, o país já realizou 14,9 mil transplantes, um recorde histórico para o período. 
No entanto, muitos pacientes seguem na fila de espera: são mais de 80 mil pessoas aguardando por um órgão. 
Por isso, sensibilizar as famílias no momento da doação é visto como uma estratégia fundamental para aumentar as doações. 
Veiculação e mote da campanha
A campanha será veiculada ainda em setembro — mês que abriga o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 — com o slogan:
“Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece.” 





















