No último sábado, 6 de setembro de 2025, completou-se um mês desde a implementação pelo governo dos Estados Unidos da sobretaxa de 50% sobre as exportações brasileiras — o chamado “tarifaço” — em vigor desde 6 de agosto . O período foi marcado por intensas tentativas de negociação, uma postura enfática de defesa da soberania nacional e ações de respaldo a setores afetados pela medida.
O ponto inicial ocorreu no dia 9 de julho, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou por carta a imposição da tarifa como resposta ao suposto déficit comercial dos EUA e ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro . De maneira contraditória, o Brasil respondeu lembrando que, nos últimos 15 anos, acumulou déficit de quase US$ 410 bilhões na balança comercial com os EUA .
Em 30 de julho, Trump confirmou a medida por meio de uma ordem executiva, com vigência a partir de 6 de agosto, mas incluiu uma lista de cerca de 700 produtos isentos — como aeronaves e partes da Embraer, sucos, fertilizantes, combustíveis e metais — que correspondem a 44,6% das exportações brasileiras aos EUA, mantendo tarifas de até 10% previamente estabelecidas .
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 35,9% das exportações estão sujeitas à tarifa completa de 50% (somando 10% já existente com mais 40%), enquanto outros 19,5% enfrentam tarifas específicas com base em segurança nacional (como autopeças, automóveis, aço e alumínio), totalizando 64,1% das exportações ainda com condições competitivas  . O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin estimou que, efetivamente, “o tarifaço” impacta 3,3% das exportações brasileiras .
No plano diplomático, o governo brasileiro intensificou negociações. Em Brasília, Alckmin recebeu o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teve uma reunião com sua contraparte americano, Scott Bessent, cancelada — possivelmente por “falta de agenda”, algo considerado “inusitado” por Haddad .
O presidente Lula firmou uma retórica firme em defesa da soberania, rebatendo acusações de Trump, afirmando que o Brasil “não aceita desaforo, ofensas nem petulância de ninguém” e classificando as decisões dos EUA como “descabidas”, ao mesmo tempo em que reforçou a disposição ao diálogo .
No âmbito institucional, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 6 de agosto, acusando os EUA de violarem compromissos firmados no âmbito multilateral . Paralelamente, com base na nova Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada em abril, iniciou-se um processo na Camex para eventual imposição de contramedidas tarifárias .
Setoriais, os impactos foram sentidos com força no Ceará, que declarou situação de emergência em função da dependência das exportações aos EUA — acima de 44% — e com mais de 90% da pauta exportadora afetada  . Em Petrolina (PE), o prefeito alertou que há janela crucial para escoamento de frutas, como manga e uva, entre agosto e outubro .
Ainda assim, dados positivos ajudaram a conter o cenário: o saldo da balança comercial brasileira foi favorável, com crescimento de 3,9% nas exportações em agosto e superávit de US$ 6,1 bilhões — impulsionado por outros mercados, como China e Argentina . A economista Lia Valls Pereira, da UERJ/FGV, ressalta que o recuo nas vendas aos EUA já reflete o impacto do tarifaço .






















