Início Geral Mauro Cid depõe no STF

Mauro Cid depõe no STF

90
A view of STF building in Brasilia, Brazil
foto: joseduardo / Adobe Stock

Mauro Cid depõe no STF

O tenente‑coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, prestou nesta semana um dos depoimentos mais esperados no Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma audiência marcada por tensão e repercussão nacional, Cid detalhou pontos centrais da delação premiada firmada em agosto de 2023, na qual é acusado de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

Aos 46 anos, o militar responde por crimes como organização criminosa, preparo do “Plano Punhal” — que incluiria assassinatos e ruptura democrática — além de obstrução de Justiça. Ele já concedeu 12 depoimentos entre 2023 e 2024 à Polícia Federal e ao STF, detalhando os bastidores da trama.

Principais revelações do depoimento

1. Acordo voluntário
Mauro Cid afirmou que não sofreu coação para firmar o acordo de delação. Sobre os áudios vazados, classificou como desabafos pessoais e negou manipulação por parte da PF.

2. Minuta golpista revisada
Revelou que havia um decreto pronto, propondo estado de defesa e prisão de autoridades, incluindo membros do STF e do Congresso. Segundo ele, Bolsonaro retirou alguns nomes da lista, mantendo apenas o ministro Alexandre de Moraes.

3. Pressão militar
Cid relatou que havia pressão de militares radicais para que Bolsonaro trocasse comandos das Forças Armadas e tomasse medidas contra o resultado das eleições.

4. Papel de Braga Netto
O general Braga Netto teria atuado como interlocutor entre Bolsonaro e manifestantes nos acampamentos militares. Cid afirmou que verba foi distribuída para manutenção desses grupos, entregue em caixas de vinho.

5. Acusações de fraude nas urnas
Mesmo com tentativas de encontrar irregularidades nas eleições, nenhuma prova foi apresentada, segundo Cid.

6. Hackers e Carla Zambelli
Relatou reuniões entre Bolsonaro, a deputada Carla Zambelli e o hacker Walter Delgatti, para avaliação técnica das urnas eletrônicas. Militares do Ministério da Defesa também teriam participado.

7. Infiltrados e inteligência militar
Confirmou que militares das forças especiais — os chamados “kids pretos” — estavam infiltrados nos acampamentos. A intenção era monitorar os manifestantes e conter a disseminação de fake news.

8. Reuniões informais
Em 28 de novembro de 2022, uma reunião informal com militares teria discutido a possibilidade de intervenção, mas sem planejamento efetivo.

9. Celulares, áudios e dispositivos
A PF apreendeu nove celulares e três computadores de Mauro Cid. Áudios indicariam suposta pressão para “confirmar narrativas”, mas ele reiterou que as conversas eram informais e desabafos.

Defesa contesta versão

A defesa de Cid afirmou que ele era apenas um assessor sem poder de decisão, e não articulou ou planejou ações golpistas. Os advogados apontam contradições ao longo da delação e dizem que aspectos emocionais, como os áudios, não comprometem a veracidade de seus relatos.

 

O STF agora avaliará se os relatos são suficientes para configurar crime organizado ou tentativa de golpe de Estado. A sessão segue com o depoimento de outros investigados, incluindo Bolsonaro, que cumprimentou Cid antes do interrogatório, e nomes como Alexandre Ramagem e Almir Garnier.

Artigo anteriorBrasil enfrenta o Paraguai hoje pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026
Próximo artigoAuxílio Gás: novo cronograma de pagamento divulgado
  • https://server2.webradios.com.br:19142/9142
  • Rádio Barão 105.9 FM
  • Rádio On Line