Líderes do BRICS defendem ampliação de mecanismos de comércio e união diante do protecionismo
Brasília, 8 de setembro de 2025 – Em pronunciamentos durante uma cúpula virtual realizada nesta segunda-feira, 8 de setembro, os líderes do BRICS defenderam a ampliação dos mecanismos de comércio e a integração financeira como resposta à intensificação de práticas protecionistas no comércio internacional. A reunião foi organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco.
Multilateralismo e integração
Para o presidente Lula, “o comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”. Ele destacou que o grupo reúne legitimidade para liderar uma refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas, flexíveis e voltadas ao desenvolvimento econômico dos países do Sul Global .
Números que fortalecem o bloco
Lula citou dados que reforçam a força do BRICS: o grupo representa 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase metade da população mundial. Além disso, reúne condições favoráveis para promover industrialização verde, com 33% das terras agricultáveis e 42% da produção agropecuária mundial .
Críticas ao protecionismo e à OMC estagnada
Em tom incisivo, Lula denunciou que cláusulas básicas do livre comércio, como Tratamento de Nação Mais Favorecida e Tratamento Nacional, estão sendo enterradas por medidas unilaterais. Ele condenou a “chantagem tarifária” e as sanções extraterritoriais, que, segundo ele, ameaçam as instituições democráticas e a liberdade de cooperação comercial entre os países do bloco .
Papel do Novo Banco de Desenvolvimento
O presidente brasileiro igualmente ressaltou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), destacando sua atuação na diversificação das bases econômicas e nas complementariedades entre os países do BRICS .
Apoio à multilateralidade
O presidente Xi Jinping, da China, também reafirmou o compromisso com o multilateralismo e a defesa do sistema global de comércio. Para Xi, o BRICS deve agir com espírito de abertura, solidariedade e cooperação vantajosa para todos, atuando como força estabilizadora diante das tensões comerciais globais .
Contexto e continuidade
A cúpula extraordinária ocorre dois meses após a 17ª cúpula de líderes, realizada no Rio de Janeiro em julho. Na ocasião, o BRICS aprovou 126 compromissos em áreas como comércio, tecnologia, saúde, finanças e inteligência artificial  .
Em um encontro anterior dos ministros das Relações Exteriores, em abril, o Brasil já havia emitido uma nota condenando práticas protecionistas, apesar da falha em emitir uma declaração conjunta com os demais membros .
Próximos passos: reforma global e cooperação ampliada
Durante a cúpula virtual, os líderes discutiram também estratégias de solidariedade e coordenação dentro do BRICS, em meio a um cenário global marcado por tensões econômicas e políticas. Lula enfatizou a necessidade de chegar fortalecidos à 14ª Conferência Ministerial da OMC, que será realizada no próximo ano em Camarões .




















