Julgamento de Bolsonaro tem início na terça-feira e será realizado em oito sessões
Brasília, 31 de agosto de 2025 – O Supremo Tribunal Federal (STF) dá início, nesta terça-feira (2 de setembro), ao julgamento que pode culminar na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, junto com sete aliados, por suposta participação em uma trama golpista para reverter o resultado das eleições de 2022  .
Trata-se de um julgamento sem precedentes desde o retorno da democracia. Dois anos e meio após os eventos de 8 de janeiro de 2023, a Corte avalia a responsabilização do ex-presidente, além de generais e autoridades militares .
Segurança reforçada e número limitado de espectadores
O STF montou um esquema de segurança robusto, incluindo varreduras com cães farejadores, drones e restrições ao acesso aos prédios da Corte .
A participação presencial no julgamento será restrita: foram registradas 3.357 inscrições — entre advogados e cidadãos — para assistir às sessões, mas apenas os primeiros 1.200 serão atendidos. Cada sessão contará com 150 lugares, e os contemplados assistirão à deliberação por telão em sala separada da Segunda Turma; o Plenário da Primeira Turma será reservado apenas aos advogados dos réus e à imprensa .
Datas, horários e cronograma das sessões
O julgamento será realizado em oito sessões, distribuídas entre os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, conforme cronograma abaixo:
• 2 de setembro: 9h e 14h
• 3 de setembro: 9h
• 9 de setembro: 9h e 14h
• 10 de setembro: 9h
• 12 de setembro: 9h e 14h  
Quem são os réus
O chamado “núcleo crucial” da denúncia da PGR inclui os seguintes réus:
• Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
• Alexandre Ramagem – ex-diretor-geral da Abin
• Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
• Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF
• Augusto Heleno – ex-ministro do GSI
• Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
• Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa de 2022
• Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro 
Entre os crimes pelos quais respondem estão: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado. Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal, teve parte das acusações suspensas — ele responde a três dos cinco crimes originais .
Rito e sequência de votação
O julgamento seguirá o rito estabelecido pelo Regimento Interno do STF e pela Lei 8.038/1990 .
No primeiro dia, a sessão será aberta pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. Em seguida, Alexandre de Moraes fará a leitura do relatório sobre as etapas anteriores do processo. Depois, ocorrerão as sustentações da acusação — lideradas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet — com até duas horas de discurso, seguidas pelas defesas, que terão até uma hora cada .
A votação terá início com o relator, Alexandre de Moraes, que apresentará primeiro sua análise sobre questões preliminares e, depois, sobre o mérito da ação. Na sequência, votarão os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por fim, Cristiano Zanin — a decisão dependerá da maioria de três entre os cinco votos .
Possibilidade de pedido de vista e prisão não automática
Qualquer ministro da Corte pode solicitar vista do processo, o que pode interromper a continuidade do julgamento. Caso isso ocorra, o processo deverá ser retomado em até 90 dias .
Se houver condenação, a prisão dos réus não será automática: ela só poderá ser executada após o julgamento dos recursos. Os condenados poderão ser encaminhados a alas especiais de presídios ou mantidos em dependências das Forças Armadas, com direito à prisão especial para oficiais, conforme o Código de Processo Penal






















