Início do julgamento de Bolsonaro e sete réus por trama golpista

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A view of STF building in Brasilia, Brazil
foto: joseduardo / Adobe Stock

Início do julgamento de Bolsonaro e sete réus por trama golpista

Brasília – 2 de setembro de 2025 — Teve início nesta terça-feira o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados por participação em uma trama golpista. O julgamento, conduzido pela Primeira Turma, foi suspenso por volta das 17h55 e será retomado na manhã desta quarta-feira (3), a partir das 9h, com as sustentações orais das defesas. 

Quem são os réus?
• Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
• Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin (atualmente deputado federal)
• Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
• Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
• Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
• Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
• Walter Braga Netto – ex-ministro e vice-candidato na chapa de 2022
• Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro 

A PGR acusa os réus pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. Alexandre Ramagem teve parte das acusações suspensa por prerrogativa de foro, respondendo a apenas três dos cinco delitos. 

Desenvolvimento do primeiro dia
• Pela manhã, o relator, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório final da ação penal, que resume desde as investigações até as alegações finais, marcando a última fase antes da votação do julgamento. 
• Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez a acusação, afirmando que se trata de uma trama de ruptura que foi revestida de legítima, com o objetivo de mobilizar ideologicamente e desestabilizar os fundamentos democráticos. Ele defendeu que os envolvidos sejam responsabilizados para evitar novos atentados contra a democracia. 

No período da tarde, as defesas passaram a se manifestar:
• O advogado de Mauro Cid pediu a manutenção de sua delação premiada, negando que ele tenha sido coagido. 
• A defesa de Alexandre Ramagem rejeitou acusações de monitoramento ilegal, afirmando que ele apenas “compilava pensamentos do presidente”. 
• O grupo de advogados que representa Almir Garnier negou que o almirante tenha colocado as tropas à disposição de um golpe. 
• A defesa de Anderson Torres minimizou a “minuta do golpe” encontrada pela Polícia Federal, comparando-a a uma “minuta do Google”. 

Presença dos réus
Até o final do primeiro dia, apenas Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, compareceu presencialmente. 

Contexto e próximos passos
O julgamento está programado para acontecer ao longo de oito sessões, nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. A votação que definirá a condenação ou absolvição dos réus deve ocorrer apenas nas sessões subsequentes, quando também serão debatidas as penas, que podem ultrapassar 30 anos de prisão.

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