Industriais brasileiros articulam com empresários dos EUA para reverter “tarifaço”
Empresários de diversos estados brasileiros participam de uma missão nos Estados Unidos, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o objetivo de buscar apoio junto a empresários norte-americanos para pressionar o governo dos EUA a negociar o “tarifaço” imposto ao Brasil .
A comitiva inclui representantes das federações das indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC), Goiás (FIEG) e São Paulo (FIESP) .
Segundo Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, o objetivo é articular com parceiros americanos uma reciprocidade de pressão nos dois governos para superar a crise. “Estamos trabalhando juntos para que ambos os governos se sentem à mesa e encontrem uma saída para esse impasse”, afirmou .
A missão, que já teve reuniões em Washington nos dias anteriores e em 4 de setembro, reúne cerca de 80 empresários brasileiros e 50 americanos . Roscoe acrescentou que o esforço conjunto visa fortalecer a sinergia empresarial e mobilizar forças políticas para ajudar a superar a crise .
O presidente da FIEG, André Rocha, explicou que a estratégia da missão envolve negociar com a Câmara de Comércio Americana (US Chamber) para tentar reduzir as tarifas ou ampliar a lista de produtos brasileiros isentos das sobretaxas impostas pelos EUA .
Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou que a missão busca estabelecer critérios técnicos nas negociações e evitar que equívocos de ordem política ou geopolítica prejudiquem o diálogo. “Queremos garantir uma porta de negociação onde argumentos técnicos e comerciais prevaleçam”, afirmou .
O “tarifaço” surge dentro de uma série de medidas adotadas pelos EUA relacionadas à investigação comercial contra o Brasil, incluindo sobretaxas de 50% sobre importações brasileiras, além da classificaçãodo país como “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional”, em decisão que remete a situações semelhantes enfrentadas por Cuba, Venezuela e Irã .
Na contramão, o governo brasileiro implementou, em 13 de agosto de 2025, o Plano Brasil Soberano, com medidas de apoio às empresas, exportadores e trabalhadores afetados pelas sobretaxas. Dentre as ações estão novas linhas de crédito via Fundo Garantidor de Exportações (R$ 30 bilhões), R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores e R$ 5 bilhões em créditos via o Novo Reintegra .






















