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HPV: o vírus que causa câncer pode ser prevenido

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HPV: o vírus que causa câncer pode ser prevenido

HPV: o vírus que causa câncer pode ser prevenido

Evento Conexão Proadi do Hospital Moinhos de Vento debateu, na quinta-feira (16), a prevalência do HPV no Brasil

Um dos principais causadores do câncer de colo uterino é o Papilomavírus Humano (HPV). Embora a medicina ainda busque uma cura para a doença, que ocupa as primeiras posições em letalidade, existe uma vacina que protege contra os tipos mais recorrentes do vírus. O Conexão Proadi, do Hospital Moinhos de Vento, debateu, na quinta-feira (16), a gravidade da infecção na população brasileira.

Os dados preliminares de três pesquisas que compõem o Estudo Epidemiológico Sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo Papilomavírus Humano no Brasil, realizado por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), foram apresentados pela investigadora principal do projeto e médica epidemiologista do Moinhos, Eliana Wendland.

A prevenção do HPV pode ser feita por meio da vacina quadrivalente, que abrange os tipos 6, 11, 16 e 18, disponível em toda a rede pública de saúde. Na pesquisa, a incidência da doença entre homens que fazem sexo com homens chegou a 75% para HPV anal positivo – 34% dos casos foi causado por um dos quatro tipos de vírus que são cobertos pela vacina.

Além disso, em 60% dos casos, a doença apresentou alto risco e, em 16%, o vírus era do tipo 16 — principal causador de câncer. “Mais do que uma infecção sexualmente transmissível, é um vírus que causa câncer. Essa é a grande importância dessa doença, por isso a relevância da prevenção”, enfatizou a médica.

Os resultados preliminares do POP-Brasil (um dos estudos em andamento), que busca mapear o impacto da vacinação contra o HPV, iniciada em 2014 pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, constatou que, entre a população investigada, metade dos jovens de 16 a 25 anos com vida sexual ativa tem HPV positivo – o alto risco impactou 38,6% das mulheres e 29,2% dos homens.

A boa notícia é que o estudo concluiu, na primeira fase, que a vacina é efetiva e diminui a incidência entre os vacinados para os tipos 6 e 16. Em 2023, a pesquisa segue mapeando a efetividade nos outros dois tipos abrangidos pelo imunizante.

A  pediatra do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e responsável pela vacina HPV no Ministério da Saúde, Ana Goretti, explicou que, até 2015, o Brasil não tinha estudos nacionais que revelassem o tamanho do problema causado pelo HPV. “Foi neste momento que entramos em contato, por intermédio do Proadi, com o Hospital Moinhos de Vento, junto com a coordenação de DST e AIDS. Desde então, estamos trabalhando na realização de três pesquisas que buscam mapear a gravidade da doença e a efetividade da vacina”, contou.

Busca pelas metas da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um chamado a todos os países membros para uma colaboração conjunta pela eliminação do câncer de colo uterino, com metas traçadas até 2030. O apelo busca a imunização de 90% das meninas de até 15 anos, a testagem para HPV de 70% das mulheres entre 35 anos a 45 anos e o acesso ao tratamento para 90% das mulheres diagnosticadas.

A médica Ana Goretti evidenciou que para que o Brasil atinja a meta da OMS, a situação vacinal terá de mudar. Atualmente, 76% das meninas em idade para receber a imunização foram vacinadas, mas somente 57% receberam o reforço. No caso dos meninos, o índice cai para 59,3% com a primeira dose e 37% com a segunda.

Mais de 50 milhões de doses já foram distribuídas para todo o país desde o começo da vacinação contra o HPV, em 2014. “Com todo o esforço que o Brasil faz, hoje nós temos uma cobertura que deveria ser de 80%. Agora, há um compromisso de chegarmos a 90% em 2030”, alerta. A médica ressalta que o índice de prevenção, com a vacinação, chega a 80%.

Os três estudos que buscam mapear a gravidade e a efetividade da vacina têm como objetivo auxiliar na conscientização da necessidade da imunização. A vacinação contra o HPV é indicada para todos os meninos e meninas de nove a 14 anos e para pessoas imunodeprimidas de nove a 45 anos.

Foto: Divulgação Hospital Moinhos de Vento

 

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