Árvores Gigantes da Amazônia Podem Ser Aliadas na Ciência Climática
Brasília – No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, especialistas destacaram a relevância das árvores gigantes da floresta tropical, especialmente o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), como potenciais aliadas na compreensão das mudanças climáticas. Essas árvores, algumas com mais de 80 metros de altura, desempenham um papel essencial na captura de carbono, na regulação do clima e na preservação histórica do bioma .
A maior árvore do Brasil e a quarta mais alta do mundo, um exemplar de angelim-vermelho medindo 88,5 metros e com cerca de 400 a 600 anos, foi encontrada em Almeirim (PA), na Unidade de Conservação Estadual Floresta Estadual do Paru . Um total de 20 árvores acima de 70 metros já foi identificado na região do médio Rio Jari, próxima à divisa entre Pará e Amapá .
Segundo o pesquisador Diego Armando Silva, do Instituto Federal do Amapá (IFAP), essas árvores gigantes absorvem aproximadamente o dobro de carbono em relação às árvores amazônicas típicas, que possuem altura média entre 40 e 50 metros . Uma dessas árvores pode corresponder a cerca de 80% da biomassa de um hectare em que está inserida, o que reforça seu valor no sequestro de CO₂ .
Além do impacto climático, essas árvores guardam informações valiosas sobre os ciclos históricos da floresta. Estimativas iniciais indicam que algumas têm entre 400 e 500 anos, baseadas em datações indiretas por anéis de cedro próximos .
No entanto, esses gigantes estão vulneráveis. Apesar de muitas estarem dentro de unidades de conservação, sua categoria de manejo permite exploração madeireira . Em resposta, foi criado em setembro de 2024 o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), com 560 hectares de proteção integral . Mas essa medida ainda é insuficiente, pois muitas árvores continuam fora de áreas protegidas — em regiões ameaçadas por garimpo, desmatamento e sobreposição irregular de CARs (Cadastros Ambientais Rurais) .
Para proteger efetivamente essas árvores, especialistas ressaltam que é necessário avançar com comitês gestores e planos de manejo que incluam visitação, educação ambiental, pesquisa e monitoramento. Essas iniciativas podem fortalecer tanto a conservação quanto a produção científica global sobre o clima da Amazônia .






















