Julgamento da Kiss completa uma semana com dia tenso e mais de 12 horas de depoimentos

Três testemunhas e uma informante falaram no plenário do Júri nesta terça-feira

   O Tribunal do Júri do caso da Boate Kiss, realizado em Porto Alegre, completou uma semana nesta terça-feira. Num dos dias mais longos, com mais de 12 horas de depoimentos, foram três testemunhas e uma informante. Mais uma vez, as falas alternaram entre clima de comoção e tensão.O primeiro a falar foi o ex-operador de áudio e técnico de som Venâncio da Silva Anschau, de 40 anos. Ele disse que, no momento do início do incêndio que terminou com a morte de 242 pessoas, desabilitou o áudio dos microfones da banda Gurizada Fandangueira, o que teria impedido a comunicação dos músicos com o público. A testemunha, arrolada pela defesa do vocalista Marcelo de Jesus dos Santos, relatou que não visualizou as chamas no teto da boate e que viu apenas uma pessoa subindo no palco, sem identificar que ela tinha em mãos um extintor de incêndio.Acreditando ser uma invasão por parte da plateia, Anschau fechou o som dos microfones. “Quando o rapaz sobe no palco, eu não tenho a dimensão, não imagino o que esteja acontecendo e eu desabilito o áudio dos microfones. Eu desabilitei. Errei, errei, mas desabilitei o áudio”, disse a testemunha, chorando. Emocionado diversas vezes, ele narrou que estava programando um efeito sonoro para a próxima música, de cabeça baixa, olhando para os equipamentos, quando percebeu que a banda parou de tocar. Após revisar os aparelhos e não perceber nada de anormal, relatou que olhou para o palco e viu os músicos olhando para cima, gesticulando com garrafas d’água, até que o homem em questão subiu no palco.

   Depois, foi a vez de Nivia da Silva Braido. Inicialmente chamada como testemunha pelo Ministério Público (MP), ela teve o depoimento questionado pelos advogados de defesa. Assim, o juiz Orlando Faccini Neto decidiu que a arquiteta seria ouvida como informante. A arquiteta relatou ter sido chamada pelo réu, Elissandro Spohr, o Kiko, para reformas na parte acústica da boate. Porém, ao entregar uma proposta ao sócio da Kiss, não teve retorno. A reforma, assim, teria sido feita sem um responsável técnico, conforme sustenta o MP.
   Conforme a arquiteta, Kiko a procurou devido a ações do MP sobre o barulho e acústica da boate. Nivia afirmou que frequentou o local após as reformas e notou que algumas de suas sugestões foram feitas, mas não percebeu questões sobre o uso de espuma para isolamento acústico, material que teria sido um dos responsáveis pelo incêndio na boate. “Mesmo questões acústicas precisam de um engenheiro ou arquiteto como responsável técnico.”
Fonte: G1.
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