Estudo mostra desigualdade racial em indicadores de educação, saúde e trabalho no RS

População negra corresponde a 21% do total do estado. Pandemia aprofundou desigualdades, aponta pesquisador.

   Um estudo demográfico mostra o perfil da população negra no Rio Grande do Sul. Compondo 21% do total de habitantes do estado, com 2,3 milhões de pessoas, pretos e pardos figuram em condição de desigualdade em relação à população branca em áreas como educação, saúde e trabalho.

   Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) na sexta-feira (19). O pesquisador Rodrigo Campelo, um dos responsáveis pelo relatório, afirma que a pandemia agravou a diferença entre negros e brancos.

Educação

   O estudo mostra que a taxa de analfabetismo entre a população negra do RS é maior do que entre os brancos em todas as faixas etárias. Entre os mais jovens, de 2% a 2,3% dos brancos sabem ler e escrever, enquanto o índice entre pretos e pardos varia de 5,2% a 6,2%. Já entre quem tem mais de 60 anos, o analfabetismo de negros é de 16%, frente a 5,2% de brancos.

   Um total de 16,4% dos brancos tem ensino superior completo, contra 6,3% dos negros. Pretos e pardos têm mais participação em cursos de ensino à distância na comparação com atividades presenciais em universidades.

   Nos ensinos fundamental e médio, o percentual de alunos com idade acima da esperada para o ano em que estão matriculados é maior entre indígenas e negros na comparação com brancos.

Saúde

   Enquanto 19,2% da população branca considera ter uma saúde muito boa, o número de pardos que se enxergam na mesma situação é de 16,7%. Entre os pretos, são 12,2%. Em relação à saúde mental, também é maior o percentual de brancos que se sentem melhor.

   Três a cada 10 brancos praticam esportes quatro ou mais vezes por semana. Entre pardos, o indicador é semelhante. Já entre pretos, é pouco superior a duas a cada 10 pessoas.

   Brancos possuem quase o dobro do acesso aos serviços privados de saúde, 30,4% contra 16,3% e 17,1% de pretos e pardos, respectivamente. Mais da metade dos pretos e pardos procuram os serviços públicos, 59,1% e 58,2% contra 45,6% dos brancos.

   A taxa de letalidade por Covid-19 entre idosos pretos foi maior entre brancos e pardos, com o risco de óbito sendo aproximadamente 8% maior.

Trabalho e renda

taxa de desemprego de negros (em torno de 13%) é maior na comparação com brancos (em torno de 7%) no Rio Grande do Sul em 2020.

O rendimento médio de brancos gaúchos no ano passado foi de R$ 2.990, sendo de R$ 1.848 para pardos e R$ 1.996 para negros.

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