Governo do RS estima queda de 30% na arrecadação em maio devido à pandemia do coronavírus

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Nos primeiros dois meses do ano, o Rio Grande do Sul teve um dos períodos mais favoráveis nas contas do estado, com 10% na receita e déficit orçamentário quase zerado. Mas, com a pandemia do coronavírus e empresas interrompendo parcial ou totalmente as atividades, o governo estima em 30% a queda na arrecadação no mês de maio.

Em abril, o estado perdeu R$ 700 milhões em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), dinheiro que é repartido com os municípios. O desafio com o novo modelo de distanciamento controlado é preservar empregos e retomar atividades essenciais, como de serviço e comércio, que correspondem a cerca de 47% da economia gaúcha.

“A economia e a saúde não são opostas. Pelo contrário, a melhor coisa que a gente pode fazer pela economia é cuidar da saúde das pessoas, porque se a gente tiver um efeito muito grande em termos de óbitos, em termos de estouro da capacidade de atendimento social e da própria rede de saúde, a gente vai ter uma situação de total pânico e de falta de confiança das pessoas. E em momento de pânico e sem confiança, não há crescimento econômico”, afirma o secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso.

O plano dividiu os segmentos da economia em 12 grupos. Dentro de cada um, estão as atividades que, para continuarem operando e preservarem a saúde das pessoas, terão de seguir normas conforme a cor da bandeira da região.

Isto inclui medidas de higienização, distanciamento e até capacidade mínima e máxima de trabalhadores.

Confira os grupos:

  • Administração pública
  • Agropecuária
  • Alojamento e alimentação
  • Comércio
  • Educação
  • Indústria da construção
  • Indústria de transformação e extrativista
  • Saúde
  • Serviços
  • Serviços de informação e comunicação
  • Serviços de utilidade pública
  • Transporte

O governo ainda não consegue calcular os impactos que as medidas de distanciamento controlado vão ter a médio e longo prazo, tanto na retomada da atividade econômica, como na receita de impostos. O resultado, segundo o secretário da Fazenda, não depende só do que é feito no estado, mas como vai se comportar a economia do país e até no exterior, para onde vai boa parte da produção gaúcha.

“O fundamental é que a gente tenha segurança sanitária. A pior coisa que pode acontecer com qualquer economia é se tiver uma situação de conflagração em que as pessoas não tenham segurança no atendimento. Isso será muito ruim a longo prazo”, completa Cardoso.

Para o economista Istvan Kasnar, da Fundação Getúlio Vargas, o Rio Grande do Sul tem um cenário favorável em relação aos outros estados na contenção da pandemia. Mas ele alerta que a recuperação econômica depende de medidas alinhadas ao governo federal.

“Em uma economia que tem tanta implicação com a agroindústria, com o agrobusiness, será necessário um acordo mais claro com a União para que a recuperação financeira ocorra com o postergamento de empréstimos, renegociações de taxas de juros e obtenção de condições facilitadas. Além disso, será importante reforçar o elo com o Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento, senão as dores de cabeça aumentarão”, alerta Kasnar.

O diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, Carlos Henrique Horn, concorda que a retomada depende de investimentos federais. Em um manifesto de economistas da universidade, ele e outros colegas sugerem medidas que poderiam ser adotadas para ajudar na recuperação econômica.

“A linha básica é serviço de saúde, investimento em infraestrutura em geral e educação básica. Se pensarmos nesses três eixos, teremos caminho de saída da pandemia”, define Horn.

Fonte: G1

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