Entenda por que reabertura dos EUA será mais lenta do que Trump tenta fazer crer

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Ansioso para reabrir, no início do mês, a economia paralisada pela pandemia do novo coronavírus, que pôs no desemprego 13,5% da força do trabalho do país, o presidente Donald Trump voltou atrás. Delegou aos governadores dos 50 estados a decisão de apertar o botão da retomada dos EUA.

Impossibilitado de impor sua autoridade, como ameaçara na segunda-feira, ele expôs um impreciso plano de três fase para acelerar a volta ao normal. Mas até novembro, quando o presidente estará sob escrutínio dos eleitores, dificilmente o país, que amarga cerca de 35 mil mortes e uma economia moribunda, terá voltado a ser como antes.

Ao dar uma trégua no confronto com os governadores, Trump pretende mostrar liderança na condução do processo de renascimento do país. E, ao mesmo tempo, poderá também responsabilizar os governadores, caso o número de mortes volte a aumentar.

Três deles — os de Nova York, Nova Jersey e Califórnia — já deixaram claro que ainda estão longe da reabertura. Andrew Cuomo estendeu o prazo do estado de emergência até 15 de maio. Até lá, a população deve permanecer em casa.

A coordenadora de resposta ao novo coronavírus da Casa Branca, Deborah Birx, avalia que nove estados com menos de mil casos podem dar a partida para suspender as restrições que mantêm em quarentena 97% dos americanos. Trump, por sua vez, acredita que 30 já reúnem condições para reabrir antes de 1º de maio.

A maioria dos governadores de estados com menor incidência de casos, no entanto, demonstra ceticismo para levantar as restrições e alega que se está em vantagem é porque o pico da pandemia ainda não chegou.

Há um consenso entre os governadores de que é necessário um sistema robusto de testes para detectar o vírus antes que o processo de retomada da economia seja deflagrado. E isso não está ocorrendo, ao contrário do que assegura o presidente. Até agora, foram testadas 3,3 milhões de pessoas, número inferior ao que os especialistas dizem ser seguro para identificar o nível de disseminação do vírus num país de 330 milhões.

O próprio Anthony Fauci, considerado a principal autoridade em doenças infecciosas dos EUA, mostra-se reticente ao plano da Casa Branca e encara 1 de maio como um prazo otimista demais.

Fauci mantém os pés no chão, adverte que os americanos não sairão da quarentena diretamente para a normalidade. A transição de volta ao “novo normal” deve ser lenta e cautelosa:

“Ligar e desligar a luz é exatamente o oposto do que você vê aqui. O impulso dominante do plano foi garantir que fosse executado da maneira mais segura possível. Mas pode haver contratempos que nos levem a recuar um pouco para depois seguir em frente.”

Isso significa que haverá um período de 14 dias para avaliação entre cada etapa. No primeiro momento, o trabalho ainda será remoto e as escolas estarão fechadas. Restaurantes, locais de culto e cinemas poderão funcionar, sob regras estritas de distanciamento.

Na terceira fase, ou seja, o “novo normal” definido por Fauci, as interações públicas serão permitidas, assim como visitas a asilos e hospitais. Os bares poderão aumentar sua capacidade. Traduzindo: diante da colcha de retalhos que representa o mapa dos EUA, o ritmo da retomada será bem mais lento do que Trump tenta fazer crer.

Fonte: G1

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