Mãe e filha são condenadas em Erechim

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Um dos crimes mais polêmicos dos últimos tempos foi julgado nesta quinta-feira (26) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Erechim. No banco dos réus estavam Mara Beatriz Ribeiro da Silva (57) e Lisiane Ribeiro da Silva (26) – mãe e filha – ambas acusadas pela morte de Patrícia Giovana de Camargo Bolis, vítima de estrangulamento ocorrido na tarde do dia 23 de fevereiro, no Bairro Linho, em Erechim.
Lisiane aguardou o julgamento recolhida ao Presídio Estadual de Erechim, enquanto Mara, ficou em prisão domiciliar. O corpo de jurados esteve formado por quatro mulheres e três homens. A sessão foi presidida pelo juiz Marcos Luiz Agostini, titular da 1ª Vara Criminal

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, baseada no inquérito da Polícia Civil, o crime triplamente qualificado ocorreu em frente a residência das acusadas, após uma breve discussão entre as três mulheres. A briga teria sido motiva por desavença entre Lisiane e Patrícia, que eram colegas de trabalho em um frigorífico de Erechim. No dia do crime, Patrícia foi até a casa de Lisiane e morreu no meio da rua.
A sessão de julgamento iniciou às 9h30 com a oitiva de testemunhas de defesa e acusação. Logo após, Lisiane e Mara foram interrogadas pelo juiz, mas preferiram ficar em silêncio. Disseram apenas que agiram em legítima defesa e que não tinham a intenção de matar.

A primeira testemunha a ser ouvida foi Janete Teixeira de Camargo, mãe da vítima. A mesma confirmou que trabalhava no setor de embalagens da empresa localizada no Bairro Três Vendas e que desconhecia os motivos que levaram sua filha à morte. O ex-companheiro de Patrícia, também foi ouvido e não acrescentou novidades ao processo. A terceira e ultima testemunha foi o homem responsável pela gravação de um vídeo na cena crime. Nas imagens divulgadas na época, Patrícia já estava morta, enquanto as duas acusadas estavam próximas do corpo aguardando a chegada da Brigada Militar. C.da S. N. é ex-policial e teria ouvido o chamado para ligar para a polícia. “Eu vi a pessoa que morreu pedir socorro”, afirmou diante dos jurados. A testemunha também relatou que no local encontrou as duas acusadas sobre o corpo de Patrícia, que ainda estava viva, mas preferiu não intervir. Durante o depoimento ele denunciou que foi coagido pela defesa das acusadas e entregou um celular com mensagens que poderiam justificar sua denúncia.

Na fase de debates o promotor Gustavo Burgos de Oliveira, manteve a tese de que mãe e filha agiram com a intenção de matar. Por outro lado, Ramiro Kunze e João Cristovão Zanin Zanella, defenderam a tese de legítima de defesa, alegando que Lisiane e Mara deteram Patrícia para evitar agressões, já que a vítima, segundo as rés, estava bastante alterada. Na réplica, por volta das 20h, o promotor público reiterou que a legítima defesa não foi comprovada, lembrado que Patrícia morreu por esganadura, com lesões nos dois lados do pescoço, conforme laudo de necropsia. Gustavo Burgos lembrou os jurados que Lisiane e Mara usaram os joelhos para manter Patrícia imobilizada. Sentença Por volta de 23h10 foi proferida a sentença pelo juiz Marcos Luiz Agostini. Além de condenar as acusadas, os jurados reconheceram as qualificadoras do crime: motivo fútil para a morte, emprego de meio cruel (esganadura) e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Lisiane e Mara foram condenadas por homicídio triplamente qualificado e receberam penas de 18 anos de prisão em regime fechado. Lisiane retornou ao Presídio Estadual de Erechim, enquanto Mara fica em prisão domiciliar, pois foi beneficiada com medida cautelar por problemas de saúde. Cabe recurso. Os advogados de defesa anunciaram que vão recorrer da sentença.

Fonte: Jornal Bom Dia

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