Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal

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Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal

Portugal está arrasada com o incêndio que matou pelo menos 61 pessoas e deixou cerca de 60 feridos. Essa é, certamente, a maior tragédia registrada no país nas últimas décadas. O incêndio que atingiu Pedrógrão Grande e região é o incidente que fez mais vítimas fatais na história recente de Portugal e já é considerado um dos mais graves do mundo. O fogo começou no sábado e ainda não está totalmente controlado.

O cenário nos vilarejos tomados pelo fogo assusta. Segundo relata a mídia portuguesa, há corpos espalhados pelo chão esperando para serem recolhidos. Alguns estão cobertos com lençóis brancos. Outros nem isso. Há inúmeras pessoas desaparecidas e outras tantas em desespero por terem perdido parentes, vizinhos ou amigos. Pessoas com as quais conviviam diariamente e cuja família se conhecia a gerações até tudo se acabar em chamas.

Para se ter uma ideia do estrago que o fogo causou nos vilarejos aos quais chegou é preciso entender Portugal. O país tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Cerca de 1/3 da população vive na capital Lisboa ou arredores. Outra parte reside em volta do Porto, cidade ao Norte do país. O país é pequeno e praticamente todo mundo, de alguma forma, se conhece – ou conhece alguém que conhece alguém.

Pedrógão Grande é uma vila que pertence ao Distrito de Leiria, na região central do país, com menos de 2 mil habitantes. Há inúmeros vilarejos em volta, que pertencem ao concelho – a divisão municipal portuguesa difere da brasileira. Alguns desses vilarejos (ou aldeias, como chamam por aqui) têm 100 habitantes. Outros, 30 ou menos. Há vilarejos onde sobreviveram apenas algumas pessoas para contar a história e narrar os momentos de pavor ao tentar escapar das chamas e salvar pessoas – pois as casas arderam.

Segundo informações preliminares, o fogo iniciou por causas naturais – presume-se que um raio tenha colocado em chamas alguma árvore e, por causa do calor combinado à umidade, o fogo tenha se espalhado rapidamente. A fumaça que emanou da floresta que fica no local tinha coloração branca – e é extremamente tóxica. Sem informação sobre o perigo e sobre a grandeza do incidente, alguns moradores tentaram fugir das chamas que poderiam chegar às suas casas e se dirigiram à principal estrada da região – que agora ficou conhecida como “Estrada da Morte”, pois as pessoas que ali estavam acabaram intoxicadas pela fumaça antes de serem carbonizadas pelas chamas.

Um dos maiores canais da televisão portuguesa sobrevoou a estrada com um drone. O cenário é devastador. Os carros foram consumidos pelas chamas e, provavelmente, as pessoas desesperadas com o avançar do fogo não sabiam para onde fugir. A maioria morreu dentro dos automóveis. Alguns foram encontrados nas laterais da estrada e, presume-se, tenham morrido intoxicados antes de terem os corpos queimados – pois quando uma pessoa morre queimada, coloca os membros em posição de defesa, o que não se observou nas vítimas que estavam com os braços estendidos ao lado do corpo.

O governo português decretou luto oficial de três dias e promete investigar as causas do incêndio. Alguns donativos já começam a chegar para ajudar as famílias das vítimas fatais e os sobreviventes a reconstruírem suas vidas – se bem que talvez isso não seja possível, após o trauma de ver o fogo avançar e nada ser feito. Muitos moradores locais criticam a lentidão das autoridades em apagar o incêndio: “Deixaram-nos aqui para morrer”, disse um residente de Pedrógrão Grande a um site de notícias português. As festas juninas foram suspensas por três dias em todo o país – junho é um mês festivo em Portugal. O clima está pesado nas ruas e “toda a gente”, como dizem os portugueses, lamenta a tragédia.

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