Dia Internacional da Mulher foi marcado por protestos contra a Reforma da Previdência

0
1091

Dia Internacional da Mulher foi marcado por protestos contra a Reforma da Previdência, em diversos municípios do Alto Uruguai reunindo mais de quatro mil pessoas nas mobilizações
Mulheres, sejam elas agricultoras, professoras, indígenas, estudantes, comerciárias, profissionais da saúde, metalurgia, da alimentação se uniram nesta quarta-feira (08), Dia Internacional da Mulher para as mobilizações que ocorreram em diversos municípios do Alto Uruguai.

A mobilização em alusão ao Dia da Mulher, ficou marcada pela luta das mulheres contra a PEC 287/2016 da Reforma da Previdência. Em Erechim a mobilização iniciou na Praça da Bandeira, sendo que posteriormente representantes de entidades entregam uma Carta ao prefeito de Erechim, Luiz Francisco Schmidt, e ao presidente da Câmera de Vereadores Alessandro Dal Zotto, no documento as entidades solicitam o apoio das lideranças para que auxiliem na busca para barra a Reforma da Previdência nos moldes apresentados, já que está resultará em prejuízo financeiro e social para milhares de pessoas e consequentemente no municípios também.

O público saiu em caminhada pelas ruas da cidade, entregando informativos e convidando a população a participar da mobilização. O protesto encerrou no prédio do INSS- Instituto Nacional de Serviço Social de Erechim, onde representantes entregaram uma carta a um dos funcionários da autarquia.

Participaram da mobilização em Erechim o SUTRA- AU – Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai, Sindicato dos Metalúrgicos, Sindicato da Alimentação, Sindicato da Saúde, Sindicato dos Comerciários, CUT, Via Campesina, Atapers, MAB, lideranças políticas como o deputado Altemir Tortelli, vereadores, assim como demais lideranças políticas e sindicais.

Conforme a organização, mais de quatro mil pessoas participaram das mobilizações que ocorreram nos seguintes municípios da região: Erechim, Charrua, Itatiba do Sul, Gaurama, Marcelino Ramos, Aratiba, São Valentim juntamente com moradores de Benjamin Constante do Sul, Campinas do Sul, Jacutinga, Viadutos, Áurea, Cruzaltense, Getúlio Vargas também realizou mobilização com participantes das cidades de Ypiranga do Sul, Floriano Peixoto, Estação e Erebango.

Em todos municípios o SUTRAF- AU esteve participando em conjunto com outras entidades. Em alguns municípios além de palestras, houve apresentações, e manifestação de agricultores e lideranças sobre o momento atual vivido de preocupação e insegurança quanto a possibilidade de aprovação da Reforma. Os horários das mobilizações ocorreram na parte da manhã em algumas cidades e no turno da tarde na grande maioria dos municípios, sendo que em locais o comércio aderiu ao fechando as portas.

Dia da Mulher e a perda de direitos

A PEC 287/2016 que tramita no Congresso Nacional vem mobilizando a sociedade e entidades sindicais devido a perda de direitos com a proposta da reforma da previdência social. O projeto prevê o aumento da idade para as mulheres acessarem a aposentadoria em 10 anos, passando de 55 para 65 anos. Outro grande problema é que a proposta não tem uma regra de transição para os benefícios como salário maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, auxílio reclusão. Isso significa todos que precisarem dos benefícios ficarão impedidos de acessarem por quase 1 ano, pois para ter o direito são necessários 10 meses de contribuição.

Por esse motivo, que as mulheres foram as ruas com o objetivo de barrar esse projeto de Reforma. Conforme o coordenador geral do SUTRAF – AU, Douglas Cenci, as mobilizações são importantes para pressionar deputados, senadores e lideranças políticas para o fracasso da Reforma, que nos moldes apresentados pelo Governo acabam retirando direitos da população.

A luta contra desigualdade

Segundo os dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (2014) no Brasil são mais de 14 milhões de mulheres rurais, representadas pelas agricultoras familiares, trabalhadoras rurais, camponesas, extrativistas, quebradoras de coco babaçu, pescadoras, seringueiras, quilombolas, indígenas e ribeirinhas. As mulheres em 2012, última pesquisa com dados socioeconômicos da mulher, representavam 48 % da população de áreas rurais. Em 2012, quase 3 milhões e 900 mil mulheres maiores de 16 anos estavam ocupadas em atividades agrícolas, o que correspondia a 9,8% das mulheres ocupadas. Entretanto, no setor agrícola, mais de dois terços delas (72,6%) se dedicavam ao trabalho para o próprio consumo ou a atividades não remuneradas; apenas 6% eram empregadas com carteira assinada e o mesmo percentual trabalhava informalmente; 15% declararam trabalhar por conta própria; e, menos de 1% se declarou ser empregadora. A desigualdade de acesso ao trabalho remunerado se reflete, entre outros indicadores, no tipo de cobertura previdenciária a que as mulheres rurais têm acesso. Assim, em 2012, apenas 7% das/os beneficiárias/os de aposentadoria por tempo de contribuição no meio rural eram mulheres. Por outro lado, há um maior número de mulheres rurais aposentadas por idade. No trabalho conforma pesquisa, observou-se que a jornada total das mulheres, somando-se o tempo dedicado ao trabalho principal (mais de 35 horas semanais) e aos afazeres domésticos (quase 21 horas semanais), era sempre superior à jornada total dos homens (quase 42 horas dedicadas ao trabalho principal e 10 horas aos afazeres domésticos).

Além de receberem menor remuneração pelo trabalho realizado, as mulheres rurais eram as que dedicavam mais horas semanais à realização de afazeres domésticos (em torno de 26 horas), em comparação com as mulheres urbanas (20 horas).

Tumulto em mobilização de São Valentim

A mobilização na cidade de São Valentim registrou um ato de intolerância, quando um delegado de polícia que teve seu carro impedido de passar devido a mobilização, tentou intimidar a população, sacando uma arma de fogo. A população reagiu de forma pacífica, impedindo a passagem sem maiores incidentes. Contudo as lideranças do protesto no município lamentaram a situação, que foi devidamente registrada por fotografias de diversas testemunhas.

Deixe uma resposta