Agricultores no RS orientam plantio e criação de animais por fases da lua

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Na Região Sul do Rio Grande do Sul, uma família de agricultores que mora na cidade de Canguçu se guia pelas fases da lua para o plantio e a criação de animais. Especialista vê questão cultural, e não apenas superstição nessa maneira de vida no campo.

Seu Danúbio e dona Balbina não se descuidam do calendário. O período para inseminar as vacas de leite é controlado para garantir o nascimento de fêmeas. “Nosso touro é atado, só ‘botemo’ a vaca em cria quando as vacas entram no cio na época da lua. São duas luas de fêmea, a cheia e a nova”, explica Danúbio Epifanio.

A tradição de família também se estende às plantações. Na horta, há toda uma preocupação na hora de plantar as sementes. “Nós plantamos três dias antes do início da lua minguante, que daí é pra ela germinar durante a lua. Durante a lua minguante, ela tem que tá germinando, já nascida, pra dar uma boa qualidade de semente”, conta Balbina Silveira.

“Flor a gente planta na lua nova, que é para ter bastante flor”, completa ela.

A família quer conquistar qualidade no que é produzido, e não quantidade.

Uma curiosidade é que esse costume de se guiar pelas luas, segundo especialista, pode variar entre produtores.

“A outra lua boa, crescente, é destinada para as folhas. Assim também como para as flores ou mesmo algumas culturas de cabeça, tipo o repolho, que também dizem que o interessante é na lua nova e na lua cheia. Então existem essas referências que são meio gerais”, comenta a engenheira agrônoma Rosemeri Olanda.

“Isso está bastante ligado a uma questão cultural. Porque as famílias agricultoras, principalmente os pequenos gricultores, eles não têm muito acesso à pesquisa. O próprio entendimento da movimentação da lua, a relação com o oceano que tem toda essa influência.. Não é esse o conhecimento que eles têm”, completa.

“O conhecimento empírico das famílias agricultoras é dos seus ancestrais. Foi dos seus avós que passaram pros seus pais, e dos seus pais pra eles. E isso são estratégias de produção. Então tem toda uma questão cultural embutida nessa questão do manejo da terra na época do plantio, na época da colheita. São percepções diferenciadas”, segue a agrônoma.

Para a especialista, não é uma questão apenas de superstição. “Eu não trabalho com a superstição. Eles seguem e estão tirando o sustento, e se mantendo dessa forma. Então, não pode ser só superstição”, conclui.

“Dá certo, e muito certo”, afirma dona Balbina.

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