Zoológico será privatizado no RS independente de pacote, diz secretária

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O zoológico de Sapucaia do Sul, no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul, vai ser privatizado mesmo que a Fundação Zoobotânica (FZB) não seja extinta. O fim da instituição está previsto no pacote anunciado pelo governo para conter a crise, e vai ser votado pelos deputados na Assembleia Legislativa. A previsão é de que o resultado saia até o fim do ano.

 

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A secretária estadual do Meio Ambiente, Ana Pellini, afirma que o zoológico será concedido à iniciativa privada mesmo sem aprovação do projeto. A promessa é manter o mesmo valor do ingresso cobrado hoje, que é de R$ 5 a R$ 10.

“Isso não se faz em menos de seis meses, e leva ainda o tempo do cencessionário assinar contrato e se organizar de forma a preparar tudo isso. Então, eu não creio que isso se resolva antes de 10, 11, até 12 meses”, estima.

Em meio à negociação está a angústia de 190 funcionários concursados, que podem perder o emprego. Além do zoológico, a FZB é responsável pelo Jardim Botânico e o Museu de Ciências Naturais. Para o Jardim Botânico, há uma previsão de transferir seis funcionários da secretaria.

“Os serviços que a Fundação Zoobotânica desempenha para o estado e sociedade, tem um custo baixíssimo perto dos custos que o governo vai ter a cada vez que precisar contratar empresa privada para desempenhar os mesmos serviços”, diz o biólogo Marco Aurelio Azevedo.

No zoológico vivem cerca de 1 mil animais. Muitos precisam de cuidados bem específicos. Os funcionários temem que a secretaria não dê conta de manter tais serviços.

“Não existe alguém no mercado hoje capaz de cortar um dente de hipopótamo apenas com manejo, como nós fizemos, limpar e fazer toda a profilaxia das unhas de elefante ou qualquer outro tipo de manejo com grandes carnívoros e com grandes herbívoros”, argumenta o biólogo Eduardo da Silva.

“O cuidado técnico, supervisão com exemplares que são raros, entendemos que podemos fazer. Além disso, as universidades também se interessam por pesquisa em botânica”, pondera a secretária Ana Pellini.

A extinção de 11 órgãos ligados ao Executivo – nove fundações, uma companhia e uma autarquia – e a redução no número de secretarias, que passa de 20 para 17, com três fusões, estão entre as cerca de 40 medidas do pacote.

Segundo o governo, serão demitidos entre 1,1 mil e 1,2 mil servidores – entre efetivos e cargos de confiança.

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