TV Brasil estreia série infantil que foca o Pantanal de forma poética

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Com narração de Ney Matogrosso e inspirada na obra do poeta Manoel de Barros, a série infantil “O Menino que Engoliu o Sol” estreia nesta segunda-feira, às 7h45, na TV Brasil. Em 13 episódios de 7min, a animação irá ao ar de segunda a sexta, sempre no mesmo horário, abrindo a faixa com recursos de acessibilidade para as crianças, a TV Brasil Animada Acessível, com recursos de acessibilidade para as crianças. A realização é daprodutora Pólofilme, com supervisão artística do cineasta Joel Pizzini. 

A proposta do seriado é abordar de forma poética o Pantanal e a relação do homem com a natureza. A partir de um olhar sensível sobre a poesia presente na natureza, a obra aborda o medo do escuro de forma emocionante. Para resolver a situação, Manoel acha que é preciso comer um pedacinho do sol. Ele vivencia diversas experiências e aprende lições sobre emoções e equilíbrio no universo. O universo lírico de Manoel de Barros, a pintura da filha do poeta, Martha Barros e o mito do fogo na cultura indígena guató também são temáticas que aparecem na obra. O conteúdo é baseado no livro homônimo, redigido por Ricardo Pieretti Câmara, que assina o roteiro ao lado da diretora Patrícia Alves Dias.

Esta é a primeira série de animação do Mato Grosso do Sul. Natural do Estado, Ney Matogrosso aproveitou o conhecimento de longa data da região para incluir suas vivências. Com sua amplitude vocal, o cantor e compositor possibilitou a interpretação de vários personagens. O astro ainda cantarolou canções que ele ouvia do avô durante a infância. Essa experiência das gerações anteriores está presente na linguagem da trama que mescla a ternura da poesia com as belezas concretas desse ecossistema. O seriado para a garotada tem trechos em live-action, com imagens do Pantanal sul-mato-grossense.
 
Trama se passa em um Pantanal poético
 
A série “O Menino que engoliu o sol” apresenta experiências sensórias do diálogo infantil com a natureza sob uma perspectiva poética. Manoel é uma criança que leva a vida no quintal perto de muitos bichos. Ele vira passarinho tocando as águas que falam enquanto as aves fazem música. Quando o dia acorda, o garoto e os animais saem para brincar. Ele interage com um rio de cobras, árvores pássaros e o amigo peixe-cachorro. O quintal de Manoel é o Pantanal. Com invencionices típicas da idade, ele gosta de regar o charco, catar a chuva, ouvir o mar, pegar o vento pelo rabo e conversar com os bichos em geral.
 
Ao anoitecer, o menino tem tanto medo do escuro que não quer dormir e nem comer: sua barriga está cheia de medo. Donanna, avó do jovem, que passa os dias lavando, cozinhando e passando, acredita que ele tem doença alimentar e diz que a gente é o que come. Para apagar seu medo, o menino decide consumir luz e percebe que a mais brilhante é o Sol. Manoel, então, resolve comer um pedaço do astro que seu telhado costuma tocar. Ele só não contava que fosse devorar não apenas um pedacinho, mas o Sol inteiro. E, assim o mundo todo ficou no escuro.
 
Sob essa lógica, o garoto descobre que todos os seres têm luz própria. Ao desenvolver seu próprio raciocínio e amadurecer, Manoel entende que durante a noite todos continuam a brilhar. Assim, sem medo, o protagonista nota que pode voar bem alto para o dia voltar a nascer. As cenas da produção refletem sobre as emoções de modo bem sútil, colorido e com a poética de Manoel de Barros. A obra estimula o público a assistir e a sentir o linguajar pantaneiro, a maneira infantil e o sentido poético da vida.

Fonte: Correio do Povo

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