Soja: plantio está praticamente feito

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A principal cultura de verão, a soja, e a que mais traz retorno financeiro aos produtores de grãos está praticamente implantada na região Alto Uruguai. A previsão é que sejam plantados cerca de 229 mil hectares. As lavouras de milho, que também ocupam uma área expressiva, já encerraram o plantio.

Segundo informativo conjuntural do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Erechim, a semeadura da lavoura de soja safra 2018/2019 se encaminha para a fase final. “A soja é a cultura que ocupa maior área da região, com previsão de plantio de 232.370 mil hectares. A cultura está com mais de 95% da área plantada e está em fase de desenvolvimento vegetativo. O preço varia de R$72 a R$76 a saca de 60 quilos”, diz o informativo.

De acordo com os dados da Emater, as lavouras de milho também ocupam uma área expressiva com previsão de plantio de 40.480 hectares para grãos e 15.370 hectares para silagem. “O plantio está concluído. 70% da área cultivada com milho está em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo; 25% em floração; e, 5% em fase enchimento de grãos. A maioria das lavouras apresentam bom estado de desenvolvimento. O preço médio de comercialização varia de R$32 a R$35 no balcão”, mostram as informações do estudo.

O engenheiro agrônomo, Nilton Cipriano Dutra de Souza, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, ressalta que a soja é muito rentável para os produtores. E que a área de 232.370 hectares de cultivo para o próximo ciclo tem uma expectativa de produtividade média de 3.720 kg/hectare.

Segundo Nilton, isso vai resultar numa produção de 853 mil toneladas, com valor de R$ 1.266,66 a tonelada, podendo chegar a um montante de renda superior a R$ 1 bilhão de receita bruta. “Descontado o custo de produção, a renda liquida pode ser superior a R$ 570 milhões”, afirma.

Para o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Polleto, assistente técnico regional em Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, nesse ano ainda não tem sintomas de incidência de ferrugem nas lavouras até porque é cedo e os produtores estão terminando de fazer o plantio.

O problema verificado até o momento foi de germinação em algumas lavouras, alguns produtores tiveram que replantar algumas áreas na região em função do excesso de chuva no plantio.

Outro ponto observado por Polleto é como os produtores estão partindo para o plantio da soja não está havendo rotação de cultura, e assim, o solo não tem ficado bem estruturado, e a qualquer chuva fica compactado, prejudicando a própria cultura. “A questão de rotação de cultura é uma situação que precisar ser avaliada”, afirma.

Outro efeito da cultura da soja é o abandono por parte dos produtores do plantio do milho, mas que também tem uma importância muito grande para o agronegócio. “O milho é a base da indústria de alimentos do leite, gado de corte, suíno, frango”, observa.

Nos últimos anos o plantio de milho vem reduzindo no Alto Uruguai. Polleto ressalta que no ano passado a região importou muito esse grão, foram mais de um milhão de sacos para suprir a demanda regional. “Isso também aumenta o custo de produção dessas atividades”, salienta.

Conforme Polleto, não há dúvida que a cultura da soja é uma atividade que traz grande retorno financeiro aos produtores. “No entanto, a sua receita está cada vez mais sendo concentrada. Esse é o nosso problema regional”, comenta. E, acrescenta, “a tendência é aumentar a área por produtor e diminuir a população rural”.

Por outro lado, a diversificação da propriedade com a fruticultura, criação de suínos, aves, gado de corte, olericultura contribui mais para manter as famílias no campo. Ele afirma que o pequeno agricultor também planta soja, mas que normalmente terceiriza o plantio e a colheita para o produtor maior, que tem mais estrutura.

O agrônomo afirma que, por enquanto, ainda não está faltando chuva para a soja, mas que o milho já está sentindo a falta de água. “Se chover essa semana a situação se normaliza”.

Produtor

O agricultor Cristiano May de Erechim tem como fonte principal de renda a produção de hortaliças, atividade que começou com seu pai e hoje ele dá continuidade. No entanto, de uns anos para cá a família resolveu também plantar soja para ter uma receita complementar. Hoje, eles plantam em torno de 15 hectares de soja. “Se o ano corre bem auxilia na receita da família, mas se não, tem que tirar da horta para colocar na lavoura”, explica.

Cristiano ressalta que ainda o rendimento das verduras é o que mantém a família, que faz todo trabalho de plantio e colheita da soja, já que tem todo maquinário. Ele comenta que investe na lavoura, faz adubação e todos os tratamentos recomendados. Até o momento a cultura está dentro da normalidade, e se nada atrapalhar a expectativa é colher uma boa safra nesse ano. “Colhemos em torno de mil sacos por ano, uma média de 66 sacos por hectare”, afirma.

No estágio atual da sua lavoura não está faltando chuva, as plantas nasceram bem e estão na terceira folha. “Faz uns 30 dias que foi plantado”, conclui.

Fonte: Jornal Bom Dia

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