Prefeitos aprovam reajuste nos repasses para o Santa Terezinha

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Sempre que o mês de março chega, é uma verdadeira dor de cabaça para os prefeitos da região. A Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau) convocou uma assembleia extraordinária para a tarde de ontem (13) para discutir o novo valor a ser pago como coparticipação para a Fundação Hospitalar Santa Terezinha. Depois de mais de duas horas de discussão, com cada um dos prefeitos colocando suas aflições e dificuldades, ficou definido que o valor a ser pago a partir de 1º de abril será de R$ 600,00 por paciente como coparticipação, aumento de mais de 9%, com relação aos R$ 550,00 que é pago atualmente.

O aumento do repasse foi o tema preponderante, mas as questões relacionadas a postura estadual sobre saúde pública e principalmente com relação aos pequenos hospitais, que correm o risco de fechar às portas e com isso o Santa Terezinha terá mais pacientes ainda, também norteou o debate que durou mais de duas horas. Foi deliberado também que os prefeitos terão que voltar a Porto Alegre, conversar com a bancada gaúcha em Brasília e fazer uma ampla discussão sobre a situação da saúde regional.

A reunião foi aberta pelo presidente da Amau e prefeito de Ponte Preta, Ademir Sakrezenski que falou sobre a pauta do dia. Na sequência a direção do hospital mostrou os números da instituição que apesar das dificuldades financeiras de 2017 teve um resultado contábil positivo de R$ 636.415,38. Teve receitas de R$ 80.384.075,36 e despesas de R$ 79.747.659,98. Desde 2013 que o hospital não apresentava números positivos dentro do exercício. Nos anos de 2014,2015 e 2016 o déficit foi de quase R$ 14.7 milhões. Outrro tema que veio à tona é que desde 2013 os procedimentos do SUS não tem reajuste.

Porém o resultado operacional/financeiro em 2017 foi negativo de quase R$ 3,8 milhões, o que expira cuidados a situação do hospital, que aliado as políticas públicas que não dão segurança aos gestores e muito menos aos prefeitos, fez com que pedisse um aumento de 18,18% frente as necessidades de 2018. O aumento foi rechaçado pelos prefeitos, que elencaram seus motivos, sempre deixando claro que não era contra a direção e sim pela dificuldade por que passam os municípios que cada vez estão com maior dificuldade financeira. Num ofício entregue pela direção do hospital aos prefeitos foi apresentado as melhorias implantadas no ano passado, os números detalhados onde foram gastos os recursos e ainda quanto cada um dos 32 municípios da Amau repassaram ao hospital como coparticipação

O secretário municipal de Saúde de Erechim, Dércio Nonemacher frisou a importância do hospital ser forte para a segurança da região: “temos que abraçar o Santa Terezinha”.

O vice-prefeito de Getúlio Vargas, Elgidio Pasa ressaltou que “voltamos à estaca zero”, se referindo que os municípios foram ludibriados pelo governo gaúcho, quando o Santa Terezinha passou a atender 100% SUS e que todos estão limite com os gastos públicos e é difícil suportar mais um aumento.

O prefeito de Marcelino Ramos, Juliano Zuanazzi levantou a questão que o sistema público de saúde cada vez mais recai sobre os municípios e cada prefeitura tem suas peculiaridades. E repassou que lei federal recente retirou dos municípios lindeiros as barragens, fatia de arrecadação. Só em Marcelino Ramos são em torno de R$ 700 mil/mês.

Para o prefeito de Gaurama, Leandro Puton essa é mais uma vez uma discussão paliativa: “precisamos uma discussão constante sobre a saúde regional. Estamos à mercê do caos. Temos que nos posicionar, avançar. Não podemos ficar felizes com migalhas ”.

Lirio Zarichta, prefeito de Três Arroios disse que os avanços na saúde ou em outras áreas dependerá fundamentalmente da força política da região e questionou: “se os hospitais pequenos hospitais fecharem o Santa Terezinha suporta mais 600 pacientes por dia?”

De acordo com Kely Longo, prefeito de Cruzaltense, que é um município sem acesso asfáltico está cada vez mais complicado dar conta das necessidades que só crescem.

Já o prefeito de Campinas do Sul, Neri Montepo relatou que a situação está tão difícil que está pensando em demitir alguns médicos que prestam serviços a municipalidade.

O prefeito de Paulo Bento, Pedro Lorenzi e a prefeita de Itatiba do Sul, Adriana Toso estão bastante céticos ao ponto de pensarem em ‘jogar a toalha”, diante das dificuldades de todas as ordens. Para Lorenzi a falta de representação política do Alto Uruguai é o fato preponderante para estarmos nessa situação. Adriana frisou que não se pode mais empurrar as coisas com a barriga sobrecarregando os municípios em várias áreas.

Para Beto Bordin, prefeito de Jacutinga é momento de se buscar alternativas e aumentar a pressão nos governos estadual e federal.

Depois das falas e desabafos dos prefeitos, o presidente Ademir Sakrezenski lembrou que esse é um ano eleitoral, e com isso as decisões são mais amarradas, mas que a região precisa estar forte e independente do governo estadual ser de seu partido, lutará ao lado de todos para buscar alternativas para o Alto Uruguai.

Fonte: Jornal Bom Dia

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