Pedidos de Proagro apontam frustração de safra

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No início da semana eram em torno de 100 solicitações de Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) por agricultores do Alto Uruguai devido às perdas nas lavouras de trigo e cevada. Isso em virtude das condições climáticas, especialmente pelo excesso de chuva que acabou causando danos nos grãos e provocando o surgimento de doenças. Três dias depois, o número chega a 350 solicitações e a expectativa, de acordo com o agrônomo da Emater, Luiz Angelo Poletto, é de que este número se intensifique ainda mais nos próximos dias.

O crescimento nos números acontece dia a dia porque, depois dos danos ocorridos nas lavouras os agricultores comunicam as instituições financiadoras e então, é realizado o laudo com levantamento dos danos por assistência técnica, como a Emater ou particular credenciada.

Conforme levantamento semanal realizado pela Emater, o trigo que ocupa 29.100 hectares está na fase de colheita ou maduro para colher. Já a cevada que tem área semeada de 9.517 hectares está em fase de maturação e colheita. Mais de 80% da área cultivada já está colhida. Em conversa com produtores, a expectativa é de que além da queda na produtividade, a qualidade seja inferior, direcionando a utilização do grão para ração animal. A previsão do Escritório Regional da Emater é de que na próxima semana passem de 500 as solicitações de Proagro.

No Sicredi Norte o valor financiado para a safra de inverno foi de aproximadamente R$ 32,5 milhões, incluindo as culturas de trigo, cevada, canola e aveia. Num total de 829 operações contratadas, até esta terça-feira (24), foram 137 acionamentos. Mas de acordo com a assistente administrativa da cooperativa de crédito, Juliane Salete Pezzenatto, espera-se que o número de Proagros chegue a 50% do total de operações contratadas.

De acordo com o gerente geral do Banco do Brasil, Odemir Bernardi, todos os bancos ou cooperativas que trabalham com o crédito rural podem se utilizar do Proagro. Ele explica que quando há um sinistro, o agricultor comunica o agente financeiro, o qual solicita uma perícia na lavoura e, posteriormente ela é encaminhada à instituição, quando acontece o pedido do ressarcimento. “Por exemplo, se a previsão era de colher 100 sacas por hectare e o clima afetou em 70 sacas, 70% será abatido no financiamento”, explica.

O gerente do Banco do Brasil da agência da Avenida Sete de Setembro, Lucio Hupalo, comenta que leva um tempo até os agricultores solicitarem o pedido depois que os problemas são registrados na lavoura. Até a tarde de ontem (25) eram poucos acionamentos, mas eles tendem a crescer. “Mas sabemos que existe uma movimentação”, diz, ressaltando que com relação ao número de operações contratadas a tendência é de que o acionamento de Proagro chegue a 50% ou mais”, pontua.

Lucio explica ainda que o produtor que financiou a safra de inverno tem a proteção do Proagro, que é uma espécie de seguro agrícola. “E no Pronaf além do Proagro tem o Proagro +, que além da cobertura do prejuízo cobre mais uma parte que seria referente ‘ao lucro que deveria ter’. Já o produtor que não financiou a safra está sem a cobertura. E de acordo com o gerente do Banco do Brasil, diminuiu o número de agricultores que financiaram nesta safra com relação ao ano passado.

 

Presidente do Sindicato Rural alerta agricultores

O presidente do Sindicato Rural de Erechim, João Picolli, destaca que o produtor deve estar atento ao formar a lavoura. “O volume de crédito pode ter diminuído porque o produtor está cultivando com recursos próprios e com isso, quando ocorrem intempéries, ele acaba arcando com os prejuízos”, salienta.

Também alerta os produtores a antes de iniciarem a colheita chamar seu técnico para inspecionar a lavoura e avaliar se a produtividade tende a se equilibrar ao projeto inicial ou se haverá perdas. “Neste caso, antes de colher, deve-se acionar seu agente financeiro, para o pedido de Proagro”, pontua.

Fonte: Jornal Bom Dia

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