Detentos do RS confeccionam máscaras e lençóis para o combate ao coronavírus

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A pandemia de coronavírus e o aumento da demanda por materiais para atendimento hospitalar fez com que uma iniciativa surgisse em presídios no interior do Rio Grande do Sul: a produção de máscaras e lençóis para doações a hospitais.

Um desses exemplos vem do Vale do Taquari. Na Penitenciária Estadual de Lajeado, cerca de sete presas atuam desde quarta-feira (25) na produção de máscaras. De acordo com a delegada Samantha Longo, a ação faz parte da estratégia para auxilar no controle e no contágio da doença.

“Foi uma forma que encontramos de propor para as presas reverterem para os servidores, para os presos e para a sociedade, um produto tão escasso e tão raro no momento”, enfatiza.

A primeira leva de produção, cerca de 400 máscaras, é confeccionada a partir de tecidos e aviamentos doados. “A gente vai fazer a doação para a prefeitura de Lajeado para eles destinarem para onde tiver maior necessidade”, destaca Samantha.

As máscaras confeccionadas a partir da próxima segunda-feira (6), que conta com material cedido pela Superintendência Estadual de Penitenciárias (Susepe), será para os servidores e detentos dos presídios da região.

No momento, a penitenciária conta com três máquinas de costura profissional, que são destinadas para oficinas de costura das detentas. A delegada afirma que já foi solicitada a compra de mais equipamentos, para possibilitar a ampliação do trabalho.

“Temos o espaço físico e a mão de obra interessada. Não só nesse momento, mas futuramente, que se não for mais em período de combate a pandemia de coronavírus, fazer materiais para reverter para o próprio presídio, como uniformes.”

Presas do presídio de Torres produzem as máscaras para utilização interna — Foto: Susepe / Divulgação Presas do presídio de Torres produzem as máscaras para utilização interna — Foto: Susepe / Divulgação

Presas do presídio de Torres produzem as máscaras para utilização interna — Foto: Susepe / Divulgação

Samantha conta que as apenadas estão empolgadas com o trabalho. Uma delas escreveu uma poesia para agradecer aos servidores que estão proporcionando que o trabalho esteja sendo realizado por ela.

“Ela conta que todos juntos, independente de serem presos ou agentes, estão trabalhando com um objetivo em comum, que é ajudar as pessoas”, relata a delegada. Leia a poesia abaixo.

Segundo ela, as detentas querem aumentar a produção e trabalhar por mais tempo durante o dia.

“Nosso maior objetivo, além de fazer que elas tivessem uma atividade regular e de proporcionar um retorno para a sociedade, é fazer a diferença em cada uma delas. Buscando que elas se sentissem úteis, que tivessem a autoestima mais elevada, porque o cárcere é muito complicado. Uma atividade laboral e retornando um benefício a outras pessoas que estão além dos muros do presídio, ia fazer a diferença na vida delas”, aponta Samantha.

Detenta escreve poesia sobre o trabalho da produção de máscaras — Foto: Lidiane Mallmann/O Informativo do Vale Detenta escreve poesia sobre o trabalho da produção de máscaras — Foto: Lidiane Mallmann/O Informativo do Vale

Detenta escreve poesia sobre o trabalho da produção de máscaras — Foto: Lidiane Mallmann/O Informativo do Vale

Máscaras e lençóis

Na Penitenciária Estadual de Torres, no Litoral Norte do RS, cerca de 10 apenadas também estão trabalhando na produção de máscaras. Segundo o delegado regional das penitenciárias, Benhur Calderon, a estimativa é confeccionar cerca de 1 mil itens por semana.

As máscaras serão destinadas aos presos e também aos servidores da penitenciária.

“O projeto piloto é em Torres, mas quero expandir para outras casas prisionais. Estamos adquirindo os materiais para a confecção das máscaras. Estamos iniciando em Torres, mas quero fazer na modulada de Osório, no Complexo de Canoas e na Penitenciária Modulada de Montenegro”, destaca.

Também no Litoral Norte, os detentos do regime fechado da Penitenciária Estadual de Osório confeccionaram na oficina de corte e costura 134 lençóis, que foram destinados ao hospital da cidade.

“Devido à grande movimentação com o vírus, o pessoal estava com bastante dificuldade. Então os lençóis serão para colocar nas macas e camas”, explica o delegado.

As apenadas já trabalhavam com costura. De acordo com o delegado, elas costumam confeccionar as roupas dos próprios presos. “Elas costuram as camisetas, aventais, calças e uniformes.”

Benhur destaca que as produções beneficiam a todos.

“Ao mesmo tempo que estamos dando uma contribuição nesse estado de calamidade com essa pandemia, além de contribuição para a sociedade, também estamos oportunizando eles a aprender novos trabalhos, ajuda a todos. É uma linha de trabalho que beneficia todos, o preso e a sociedade”, ressalta.

Fonte: G1

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