Clima dos próximos dias será decisivo na safra de mel

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Os próximos 15 dias serão decisivos para o sucesso ou quebra da safra de mel no Alto Uruguai. Se a chuva persistir, as abelhas não vão conseguir coletar néctar e pólen, logo, não irão produzir mel. Por outro lado, se as condições climáticas forem favoráveis, ou seja, quanto mais dias consecutivos de tempo seco e predomínio do sol, mais as abelhas vão produzir mel e assim, a safra não terá quebra.

O agrônomo da Emater Regional, Vilmar Fruscalso destaca que a apicultura não tem grande destaque na região. Apenas seis municípios têm a atividade planejada e assistida pela Emater: Aratiba, Barra do Rio Azul, Carlos Gomes, Severiano de Almeida, Três Arroios e Viadutos. Nestas localidades são 155 produtores envolvidos e a média é de 10 a 15 colmeias por produtor. Em todas propriedades, Fruscalso diz que a apicultura é uma atividade complementar, porque tem algumas vantagens, entre elas permite trabalhar concomitantemente com outras práticas agrícolas. Permite também o uso de terras que não seriam aproveitadas em outras atividades como terrenos montanhosos ou beira de matas e é trabalhada em parceria com a fruticultura e com cereais de inverno como a canola. Outros municípios que trabalham a apicultura são Erechim e Getúlio Vargas.

Fruscalso salienta que o número de produtores envolvidos na atividade vem diminuindo na região por causa da mortandade de abelhas e perdas de colméias. Entre as suspeitas dessa situação está o uso de inseticidas nas lavouras de grãos. Entretanto, a apicultura é uma prática rentável. A produtividade pode atingir de 15 quilos a 20 quilos por colmeia/ano e, no momento o quilo está sendo comercializado a R$ 20. Além disso, a oferta não atende a demanda regional, que precisa ser abastecida com produtos de outras regiões do Estado e também de Santa Catarina.

No momento, os produtores têm reclamado que os enxames estão pequenos por causa do frio e chuva durante o inverno e a produção está pequena ou inexistente. A aposta está nas condições do clima nos próximos dias. Um dos motivos dos enxames estarem pequenos no momento é o excesso de chuva e frio durante o inverno, que levou a rainha não fazer postura. Mas o agrônomo enfatiza que essa situação pode ser controlada com o preparo de alimentos líquidos (açúcar) e sólidos (proteína) para o sustento dos enxames nesta época. “Isso evita que os enxames morram ou diminuam no inverno, já que nesta época não tem muita flor. Mas essa prática de fornecimento de alimento para os enxames precisa ser feita pelos produtores, que precisam ser capacitados para a atividade”, explica.

O produtor Rodrigo Angonese que reside na localidade Jaguaretê, KM 14, interior de Erechim, trabalha com produção de leite, grãos e mel. A produção é diversificada para obter mais renda já que a propriedade é pequena. São 55 hectares, com 150 colmeias. Em anos considerados bons, a produção é de 3.500 quilos. Na safra passada chegou a obter 4 mil quilos. Entretanto, a expectativa para esta safra não é das melhores. Segundo ele, em função das condições adversas do clima, espera colher 2 mil quilos. “As abelhas saíram muito bem do inverno, mas logo depois veio o frio e chuva e os enxames ficaram muito pequenos, estão com pouca abelha para coletar néctar, porque flor tem bastante”, diz.

Acrescentando que “por causa do frio e chuva a abelha rainha acabou não colocando ovos para aumentar a população e assim, os enxames estão menores”, diz. A safra de mel iniciou na última semana e hoje está com a floração da uva Japão. A safra segue até o fim do ano.

O produtor ressalta que se nos próximos 15 dias o tempo seco predominar há possibilidade de recuperação da safra, mas se ocorrer muita chuva a quebra de safra se confirma. No momento, o quilo do mel está sendo comercializado a R$ 20 nas feiras e em mercados, preço semelhante ao praticado no ano passado. Se a quebra se confirmar, Angonese destaca que a tendência é do preço aumentar. Ele também possui uma agroindústria, processando o mel e comercializando o produto já rotulado.

Além do mel, ele possui 20 animais e tem uma produção de 15 mil litros de leite/mês e cultiva ainda milho e soja.

Já o presidente da Associação Getuliense de Apicultores, Gilmar Centenário, comenta que esta é a quarta safra frustrada daquela região. A associação abrange seis municípios: Getulio Vargas, Sertão, Ipiranga do Sul, Estação, Erebango e Floriano Peixoto. São 32 apicultores associados que possuem ao todo 960 colmeias. Em anos considerados bons, a produtividade média é de 18 a 20 quilos por colmeia. “Esse ano foi tirado um pouco no fim de setembro e depois mais nada. A esperança é que em dezembro consigamos colher mais um pouco. O problema foi muita chuva e frio, assim não houve florada e os enxames estão pequenos”, explica, acrescentando que a procura por mel está grande na região. A produção da associação é comercializada em feiras e mercados daquela região.

Fonte: Jornal Bom Dia

 

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