Barão de Cotegipe: maçã com sabor do Alto Uruguai

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O leitor de mais idade deve se lembrar que era comum falar em pés de maçãs na região do Alto Uruguai. As famílias tinham pelo menos uma árvore da fruta em casa para consumo doméstico. Com o tempo foi se deixando de lado o hábito de produzir certos alimentos e com ele, pés de maçã. Contudo, alguns produtores estão investindo novamente nesta fruta e colocando à disposição do consumidor da região a espécie Eva.
É o que está fazendo a família Evando Cantelle , que além de grãos, leite e uma agroindústria, investe no cultivo de frutas, inclusive a maçã. Atualmente, tem um hectare cultivado na propriedade localizada no interior Barão de Cotegipe, distante três quilômetros do centro da cidade.
A variedade Eva chega a produzir em torno de 40 toneladas por hectare, e começa o processo de maturação no início de dezembro. “Ela é boa produtora”, observa Evando, responsável por todo o processo de produção e comercialização.
Hoje, segundo ele, o preço médio de comercialização da fruta está em R$ 2,50 o quilo. Parte da safra é comercializada na Feira do Produtor Central em Erechim. “Por ser muito saborosa, tem um diferencial na venda. A cliente gosta muito da maçã Eva”, afirma.
Evando ressalta que é uma fruta muito saborosa, de calibre não muito grande, crocante e meio ácida. Contudo, quando atinge o grau de maturação fica muito doce. “Ela não precisa de muito frio, no mínimo 300 horas, por isto produz bem na nossa região. Diferente das variedades Gala e Fugi que precisam o dobro de horas-frio” destaca.
A cultura depois de implantada começa a produzir um pouco já no segundo ano. “Daí em diante, a produção só aumenta”, diz.
Conforme Evando a maçã é uma cultura que depende de bastante mão de obra, demandando trabalho o ano inteiro. Envolve preparação do plantio, poda, arqueamento dos galhos para formação dos pés, raleio, tratos culturais e colheita. “Fica-se o ano inteiro em função do pomar”, observa.
O produtor explica que por ter poucos pomares na região ainda não tem muitas doenças que atacam a cultura. “O pomar não tem uma carga muito grande de inseticida e fungicida, se comparado a maçã de outras regiões”, comenta. Ele também utiliza o sistema de irrigação por gotejamento no pomar, que contribui muito para o desenvolvimento da planta e da produção.
A propriedade de Evando tem 25 hectares e aproximadamente 50% da área é destinada à fruticultura. O cultivo da maçã Eva faz parte de um projeto de consorciamento de frutas e diversificação de renda, junto com a cultura de pêssego, laranja, ameixa, caqui e bergamota.
O produtor está satisfeito. “É bem rentável. Este ano vamos colher em torno de 20 toneladas da fruta”, finaliza. Ontem (11), mesmo com chuva, foi concluída a colheita.

Fonte: Jornal Bom Dia.

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